A quem devemos gritar?
Ao governo? À justiça que tarda? À sociedade que se cala? Ou aos céus?
Tainara Souza Santos tinha 31 anos. Tinha sonhos e tinha o amor de dois filhos, de 7 e 12 anos. Hoje, essas crianças não têm mais a mãe.
Tainara não foi apenas uma vítima; ela foi uma guerreira. No dia 29 de novembro, ela foi covardemente atropelada e arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê. O autor? Alguém que um dia ela sentiu carinho.
Ela não morreu naquele instante. Tainara lutou. Resistiu a cinco cirurgias. Enfrentou a dor das amputações. Respondia ao tratamento tinha esperança. Mas, na noite de 24 de dezembro, enquanto o mundo celebrava o Natal, o corpo de Tainara sucumbiu. A brutalidade venceu a resistência.
Até quando? Até quando as manchetes serão escritas com o sangue das nossas mulheres?
Até quando a violência será relativizada antes de virar tragédia?
Nós precisamos de cuidado antes da violência.
Precisamos de proteção antes da morte.
Precisamos de socorro antes da notícia.
Não aceitamos mais que uma vida seja reduzida a um número de boletim de ocorrência. O assassino fugiu, tentou mentir para as câmeras, mas a verdade é implacável: foi feminicídio. E a nossa indignação também precisa ser implacável.
A violência contra a mulher não começa no impacto de um carro ou no último golpe. Ela começa na indiferença de quem olha e não vê. Na lentidão de quem deveria proteger e falha.
Dizer o nome de Tainara Souza Santos é um ato de resistência. É exigir que o amanhã não chegue tarde demais para a próxima mulher.
Tainara não pode ser esquecida. Porque quando uma mulher é esquecida, a violência vence pela segunda vez. E nós não vamos mais permitir que eles vençam.
Justiça para Tainara. Vida para todas nós.
Em memória delas
Este blog nasceu do incômodo.
Da dor que não se cala.
Da recusa em aceitar que a violência contra a mulher seja tratada como rotina, estatística ou esquecimento.
Aqui, a palavra é resistência.
Escrevo porque acredito que a violência não começa no último golpe, mas muito antes — no silêncio, na indiferença, na forma como a sociedade fala (ou deixa de falar) sobre as mulheres. A linguagem importa. Nomear importa. Lembrar importa.
Este espaço é dedicado a dizer os nomes, honrar memórias, denunciar injustiças e provocar reflexão. Não para explorar a dor, mas para recusar o apagamento. Cada texto aqui nasce do compromisso de transformar indignação em consciência e consciência em ação.
Sou Mirian, estudante de Letras, mulher, cidadã atenta. Escrevo com lágrimas, com revolta, com esperança — porque ainda acredito que a palavra pode mover, despertar e proteger.
Este não é um blog neutro.
É um espaço de posicionamento.
De escuta.
De luta.
Que quem chegue aqui não passe ileso.
Que quem leia não se acostume.
Que quem se reconheça saiba: não está sozinha.
Enquanto houver memória, haverá resistência.
Enquanto houver palavra, não haverá silêncio.
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